Os incríveis dois anos

Hoje, trocaria a expressão muito conhecida “Terrible two” por “Incríveis dois anos”. A chegada, muitas vezes de forma surpreendente para os pais, de uma autonomia e de independência das crianças. A descoberta do EU. Então, quem até ontem era um bebê que engatinhava, agora, quase que de repente, é uma criança que descobre esta existência de um Eu dentro de si e toma posse do que lhe é de direito: seu próprio EU. Resolve, decididamente, escolher tudo que está relacionado a si mesmo e no mundo ao seu redor. O “não” torna-se a palavra frequente, parece que ela tem um prazer em dizer Não pra tudo. Ela delimita seu espaço e começa a utilizar pronomes possessivos: “é meu”. Expressa seus sentimentos de forma mais, talvez, dramática. Ela ainda não sabe lidar com eles (e nós, adultos? será que já sabemos mesmo lidar com nossos sentimentos?).  As famosas e até às vezes “assustadoras” birras são mais frequentes e parece que a criança está nos testando o tempo todo e algumas vezes está mesmo e isso demanda mais atenção nossa. Não era a independência que muitos pais ansiavam ver nos seus bebês, seus filhos? Então, agora ela chegou. A criança descobriu sua individualidade e seu poder de escolha. Descobriu que ela é alguém com espaço a ocupar no mundo. Vejo que é preciso educar, ensinar, mas com muito respeito à fase da criança e seu aprendizado, não é fácil, não existe um manual.  

Também observei que é uma fase linda de grandes descobertas. A encantadora construção do diálogo, as perguntas e indagações sobre coisas, sobre tudo. A descoberta das palavras e do entendimento das coisas através delas. Esta descoberta traz para os pais a reflexão sobre como está sua capacidade de construção do diálogo. O que é preciso reconstruir? O que eu preciso modificar na minha fala? Como se comunicar de uma forma melhor? Como ser um bom ouvinte? Pois ouvindo o nosso filho (a) aprendemos a conhecê-lo melhor. Quem é este ser que veio de dentro de nós e agora se mostra uma pessoa com tanta personalidade?

Observo nesta fase que a criança é um artista em potencial. A visível capacidade de criar, do nada. Criar brinquedos, criar brincadeiras, inventar músicas, danças e expressões e assim se expressar neste mundo o qual ela descobre um pouco mais a cada dia. Mais do que existir, ser é sua essência. É a arte que os move? Ou a própria vida é uma expressão da arte? De certo que, a infância é o melhor terreno para se plantar o futuro. Tempo de aprender brincando e de voar livre em direção à construção de si. Reflito, então, em que momento será que um dia cortaram as nossas asas e nós, adultos, perdemos essa “liberdade de ser”, a ponto de termos que traçar um caminho interior de volta, e de muitos, nunca mais retornarem a este caminho de ser verdadeiramente quem é com toda sua potência? Realmente, temos muito que aprender com elas, as crianças. Cada fase nos traz desafios distintos que nos faz crescer e reaprender junto com elas. Elas nos dão lições de presença, autenticidade, alegria, liberdade e amor puro.  E por aí, como estão os “incríveis dois anos” do seu filho (a), quais as suas dificuldades nesta fase?

Eu e minha filha, maio de 2020.Todos os direitos reservados.

2 comentários em “Os incríveis dois anos

  1. Uma situação engraçada, foi que eu tava admirando o desenvolvimento de Cecília.. ela aprendeu a andar com quase 1 ano, lá na casa inglesa da vovó, e quando fomos pro núcleo aqui, eu toda feliz que não precisava carregar ela mais, falei pra minha amiga que ainda tava pelejando tendo que carregar a dela “é muito bom quando começar a andar a gente fica com os braços mais livres”, aí eu já tinha tirado boa parte da roupa pra entrar na área do box, e cecília sai correndo do banheiro nua kkk eu começo a gritar “alguém pega essa fugitiva” KKKK sem poder sair do banheiro. E assim segue.. com 2 anos, está chegando a fala.. cantando o tempo todo.. conversando conosco sobre coisas que ela observa, que ela quer fazer ou aprender.. demonstrando felicidade, e algumas desobediências também. Eu tenho que ter um caderninho pra anotar.. são tantos momentos únicos!! A peleja maior, que tô sofrendo é pra desmamar ela.. mas tenho fé que vai passar.

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    1. É muito gostoso acompanhar né, eu tenho que registrar mais também pra lembrar depois, tirar mais fotos, filmar e revelar fotos porque está passando muito rápido. Então, desmamar é peleja mesmo. Tem que ser aos poucos, eu consegui desmamar agora, mas já vinha num processo com ela. Vai passar sim e depois ficamos saudosas do Tetê. Aqui faz uma semana.

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