Reconstrução

Nada segura uma mulher que decidiu se reconstruir, apesar dos pesares. Mas, seus ombros precisam ser resistentes. Ela juntou sozinha os pedaços de si e seguiu, sem ter para onde ir mas sabendo onde quer chegar. Chegar ao seu lugar de direito, onde pudesse ser inteira, ser ela mesma, ser feliz. Onde pudesse sorrir sem medo. Onde pudesse voar. Onde pudesse repousar em si, suturar e estancar as feridas abertas. Ela testemunhou na vida que o maior dos ferimentos só pode ser fechado com paciência, tempo, amor e cuidado. Soldado ferido precisa ser retirado da zona de guerra primeiro, para poder se curar. É o resgate de si. Reencontrar sua essência, respirar sem medos e lembrar à todo tempo ao seu coração que a vida é imensa. Que a vida vai e vem, além mar. Que tudo é pequeno abaixo dos céus. E que memória se refaz a cada momento expandindo o alcance do olhar. Plantar, cultivar, colher suas próprias flores e refazer o seu jardim é experimentar a criação.  Abrir espaço onde parecia estar sufocado. É utilizar os quatro elementos da natureza e a força da tríade pensamento, ação e oração para realizar a magia da transformação. É buscar na sua ancestralidade a força abissal de suas raízes e se fincar no chão da vida. E depois, seguir buscando a leveza das folhas esvoaçantes do outono, que depois de secas, retornam a terra a espera do renascer da primavera no espaço de uma estação. Há o tempo, há o processo e por fim o ensinamento. Nada é em vão. 

✍ Vanessa Pinheiro

🌕 Lua Cheia, 09.01.23.

Fotografia: Viviane Rento, novembro, 2022.

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